sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Mundo Online

Confissão: nunca andei de metrô no Rio até a última segunda-feira. Desconhecia os ramais disponíveis, para onde ia, quanto custava, como era o processo. Não sabia absolutamente nada. Entre as gratas descobertas, a melhor: em 15 minutos estou dentro da empresa que trabalho agora, na São José, no Centro. Ando do Leblon à Estação Cantagalo. O sujeito que trabalhou a vida inteira numa redação, sem precisar ir ao Centro, acaba internado num mundo à parte.

Depois de 20 anos flanando entre gritas de fechamento, descobri o silêncio e o feriado. Esta semana, o Gmail deu pau. Estivesse numa redação de jornal, lideraria um exército de loucos ensandecidos pedindo a volta do nosso arquivo de vida digital. Mas há calma nessa hora do lado de cá. Lembro-me de, por brincadeira, chegar ao trabalho e anunciar a todos que naquele dia ia mandar desligar a internet para testarmos a apuração dos repórteres. Eu nunca vi olhares tão desesperados.

Trabalhar no Centro tem duas perspectivas: uma gastronômica. Aqui em volta há praticamente um tour gourmet que precisa ser praticado. A outra é que, para um sujeito como eu que passou a vida inteira andando de carro para tudo que é lado, entrar num metrô e esperar alguém te levar é algo absolutamente impensado para mim até então. Tudo bem que falta é estação na cidade. Mas até minha morte chega ao Leblon.

Entrei no mundo online como nunca antes. Estava dividido entre o planeta off e o planeta on. Em 1995, numa conexão discada, na qual demorava quase 20 minutos para entrar num site simples, eu pensara ser um avant-garde. O papel foi me absorvendo cada vez mais e a internet virou um acessório. Agora, não. Não há uma parte do meu corpo off. São pensamentos digitais frenéticos. O que para mim era esboço agora é wire frame. O que decerto era a estrutura do site agora é arquitetura da informação. Nada que horas e horas e horas estudando não resolvam. Porque no final o que vai importar mesmo é o jornalismo.

Estamos aqui concentrados na reestruturação do site www.cinema.com.br, que deve ser relançado em outubro, entre outros projetos digitais. Nesse momento leio um monte de (ótimos) currículos. Um punhado de gente online. A garotada nasceu online. Renascerei assim com essa turma.

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